A DIETA QUE ROUBOU 45 QUILOS A ADELE!

Todos os dias ouvimos falar de dietas novas, muitas sem fundamento, outras bem perigosas. A dieta das sirtuínas ou dietsirt é a novidade, a famosa dieta da cantora Adele, que a fez perder quilos e rejuvenescer!

Como todas as dietas, deve ser controlada por um profissional de saúde habilitado e desenhada especificamente para cada pessoa, certo? É bom que se entenda que nem esta, nem nenhuma dieta deve ser feita por autorrecriação, não funciona e pode ficar com carências nutritivas.

De onde surgiu esta evidência? O que são as sirtuínas?

A primeira sirtuína a ser descoberta foi a Sir2, encontrada numa levedura, a  Saccharomyces cerevisiae, usada no vulgar fermento do padeiro. Percebendo a sua ação nas leveduras iniciou-se a procura das mesmas nos mamíferos…e sim! Os humanos também tinham estas enzimas no organismo. A surpresa foi que, não só identificaram a SIRT2 com outras seis, ao todo são sete sirtuínas (SIRT 1-7) conhecidas até ao momento, que ocupam diferentes compartimentos celulares: núcleo (as SIRT1, 2, 6 e 7); citoplasma (as SIRT 1 e 2); mitocôndria (as SIRT 3, 4 e 5). As sirtuínas interferem na ligação ou silenciamento de genes envolvidos na longevidade das células e na preservação dos tecidos do corpo, quero dizer, são as enzimas do antienvelhecimento! Também se percebeu ao longo dos estudos que foram efetuados que interferiam positivamente no metabolismo das gorduras e como tal poderiam ser uma estratégia para o emagrecimento. 

Após esta descoberta, os estudos das sirtuínas tiveram um progresso notável, a corrida pela resposta do anti-envelhecimento e emagrecimento levou a centenas de estudos clínicos, e a um interesse alargado pela classe médica na investigação de possibilidades de utilização em prol da saúde humana. Ainda com alguns pontos polémicos, a comunidade científica continua a tentar perceber efetivamente em que reações bioquímicas podem estas enzimas atuar e que benefícios podem trazer aos humanos

O que sabemos atualmente ao certo é que os dados atuais sugerem que estas enzimas são reguladas pela dieta, pelos alimentos que ingerimos. Alguns alimentos são verdadeiros potenciadores destas enzimas, que, por sua vez, regulam variadas reações químicas orgânicas, tornando-os desta forma alvos terapêuticos interessantes para uma diversidade de doenças. O desenvolvimento destes potentes moduladores poderá vir a reverter o processo de doenças associadas ao envelhecimento como patologias inflamatórias crónicas, metabólicas, cardiovasculares, neoplásicas e neurodegenerativas. Em geral, cada sirtuína tem uma função única em cada um dos tecidos de vários órgãos como; Pâncreas, Fígado, Músculo, Tecido adiposo, Cérebro (Ler mais em: https://core.ac.uk/download/pdf/143408497.pdf.) Estas enzimas estão envolvidas num sistema de resposta biológica muito complexo, expressão genética, reparação de ADN, metabolismo e sobrevivência celular, desta forma podem aumentar a qualidade e o tempo de vida humana. 

Mas voltemos à dieta; é notório o envolvimento destas enzimas no metabolismo das gorduras e neoglicogenese levou ao aparecimento da Dieta SIRT, uma dieta muito rigorosa, restrita e faseada, elaborada por dois nutricionistas Aidan Goggins e Glen Matten, dos EUA.

 

EM QUE CONSITE A DIETA DAS SIRTUÍNAS?

A dieta tem duas fases, uma de ataque e uma de manutenção, e é baseada em alimentos específicos, ricos em sirtuínas e/ou que estimulam a síntese destas sirtuínas no nosso organismo. Na fase de ataque há uma restrição calórica abaixo do aconselhado e na segunda fase aumenta-se este consumo, mas sempre em restrição calórica. 

Os alimentos mais utilizados são a maçã verde, frutas cítricas, salsa, mirtilos, morangos, chá verde, soja, azeite, cebola roxa, rúcula, couve, brócolos, vinho tinto, chocolate com teor mínimo de cacau 85%, castanhas e café. A publicidade inicial desta dieta foi mesmo o facto de se poder beber um bom vinho tinto (rico em resveratrol) e o chocolate, só estes pontos “venderam” a dieta!

Óbvio que desatar a beber vinho tinto e a comer chocolate ou morangos ou rúcula não é a solução, não se iluda. Como em qualquer dieta, as calorias têm que ser contabilizadas e a percentagem de macronutrientes deve ser devidamente ajustada. A proteína, os lípidos (gorduras) e os hidratos de carbono têm de estar presentes nas devidas proporções, necessárias à condição física de cada pessoa. Como vê, as calorias versus porções de macronutrientes têm de ser devidamente contabilizadas, não é nada que faça sem ajuda de um profissional de saúde. É uma dieta para fazer com tempo limitado porque é muito restrita e por isso, como qualquer dieta, deve ser monitorizada. O aumento das calorias na segunda fase é gradual e as refeições são combinadas com os alimentos ricos em sirtuínas e as proteínas.

Existem ainda outras estratégias para activar sirtuínas, principalmente a SIRT1. O jejum intermitente de que tanto ouve falar hoje em dia é uma delas, a restrição calórica presente nesta dieta é outra, mais uma vez…restrição calórica sim, mas com os macros adequados e de boa qualidade. A suplementação é outra ferramenta. Se complementarmos a dieta com resveratrol (RESV), também obtemos melhores resultados. O RESV em 2003 foi rotulado como um potente ativador de SIRT1. O resveratrol está presente na casca da uva preta, groselhas vermelhas, amendoins, mirtilos, vinho tinto, açaí, espinafre. No entanto o que demonstram os estudos clínicos das sirtuínas é que a porção de RESV necessário para estimular a síntese destas enzimas não se consegue com as percentagens presentes nos alimentos. Não é possível a absorção de 1 g de RESV por esta via, a dosagem terapêutica necessária para uma resposta orgânica eficaz. Como tal o suplemento de resveratrol deve fazer parte do seu dia, com dieta SIRT ou sem dieta SIRT, recomendo! (Ler mais em: Resveratrol na Prevenção do Envelhecimento Celular/ CENTRO UNIVERSITÁRIO IBMR-Pág.31)

Posto isto: introduza no seu pequeno-almoço manteiga de amendoim, morangos, mirtilos. A meia da manhã coma uma maçã verde e um quadrado de chocolate 85% cacau. Ao almoço faça salada verde, coloque espinafres, rúcula, alface, agrião, manjericão…só verdes! Pode colocar ainda uma maçã verde, acompanhe com a proteína e uma mão cheia de castanhas assadas. Ao lanche iogurte de soja com morangos ou mirtilos. Finalize com um bacalhau cozido e brócolos. Isto é um exemplo de refeições diárias onde estão presentes alimentos ricos em sirtuínas. Volto a dizer que um bom plano é feito por medida, após avaliação dos índices de massas, actividade diária, exercício, sexo, peso e altura. Só depois sai um plano para si, ok? Isto são meras dicas para perceber o quanto a nossa alimentação pode influenciar a nossa bioquímica. Os alimentos são pura química, são estímulos que vão desencadear centenas e centenas de cascatas de reações orgânicas. É importante que entenda isso antes de iniciar qualquer plano alimentar. Quando é bem elaborado, os resultados são bons, mal feito pode ser bem perigoso.

Aqui fica a dica, não precisa fazer a dieta das sirtuínas, mas pode e deve colocá-las na sua alimentação diária. Só vai correr bem, acredite!

 

Por Sandra Eloi

Graduada em Práticas Clínicas Naturopáticas

Expert em Nutrição Aplicada à Clínica

Nutrition Coach de Alto Rendimento

CP n.º 0300440 | CP n.º 0400363

www.facebook.com/drasandraeloi

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