Dra. Inês Veiga | Farmacêutica

Localizada na base do pescoço, a tiroide é uma glândula fundamental na regulação do metabolismo, através da ação das hormonas triiodotironina (T3) e tetraiodotironina (T4). A tiroide é também o órgão que contém maior concentração de selénio, um micronutriente essencial envolvido na estrutura de proteínas – designadas selenoproteínas – com funções essenciais na tiroide como a conversão da hormona T4 em T3 (forma mais ativa) e a remoção de radicais livres, que são originados na produção destas hormonas. 

Falta de selénio condiciona a função da tiroide

Quando os níveis de selénio no organismo são insuficientes, a expressão nas selenoproteínas fica comprometida, o que pode condicionar a conversão de T4 em T3 e originar lesão oxidativa nas células da tiroide. 

Estudos recentes relacionam a falta de selénio com o desenvolvimento de doenças autoimunes da tiroide. Um grupo de endocrinologistas do Centro Hospital de São João no Porto concluiu que a deficiência em selénio, mesmo que ligeira, pode constituir um dos fatores ambientais que inicia ou mantém a atividade autoimune da tiroide. Investigadores avaliam agora o impacto da suplementação com selénio na proteção da tiroide. O selénio parece exercer uma ação protetora, tanto em situações de hipertiroidismo como em doentes com hipotiroidismo. Não substituindo a medicação prescrita pelo médico, pode ser associado com segurança.

Ingerir alimentos com selénio será suficiente?

O selénio é obtido através da carne, frutos secos e cereais, porém, vários estudos mostram que o teor de selénio nos solos da Europa tem vindo a decrescer nos últimos anos, condicionando o conteúdo de selénio nestes alimentos. Na Finlândia, desde os anos 80 que foram implementadas estratégias para aumentar o aporte alimentar de selénio. Essas estratégias incluem a utilização de fertilizantes agrícolas enriquecidos com selénio e a adição de selénio às rações dos animais.

Um estudo recente, conduzido em Portugal por um grupo de investigadores do Instituto Superior Técnico de Lisboa, demonstrou que o solo agrícola português, bem como o trigo produzido neste território, contêm teores de selénio insuficientes. Estes investigadores concluem que deveriam ser implementadas estratégias de enriquecimento dos solos com selénio, como acontece nos países nórdicos. 

A ingestão de selénio em pessoas que têm disfunção da tiroide deve ser reforçada e a alimentação poderá ser insuficiente.

 

Suplementos alimentares com selénio

Uma forma de aumentar a ingestão de selénio é tomando um suplemento alimentar que contenha este mineral. Contudo, a maioria dos multivitamínicos contém formas inorgânicas de selénio, de baixa absorção (como o selenito ou o selenato). É essencial selecionar um suplemento de qualidade e com uma dose adequada. É consensual que o selénio orgânico apresenta maior absorção, particularmente quando produzido através de processos naturais (como a fermentação com leveduras). 

Para manter o funcionamento normal da tiroide, deve ingerir-se entre 100 a 200 µg de selénio por dia. Mas atenção que, em doses demasiado elevadas, os riscos do selénio podem sobrepor-se aos benefícios. Um profissional de saúde poderá recomendar o suplemento e a dose mais adequada, consoante a necessidade de cada pessoa. Os benefícios do selénio não se limitam à tiroide, o aumento da sua ingestão favorece também a resposta do sistema imunitário, a fertilidade, e reforça a defesa antioxidante, sendo por isso extremamente importante para os fumadores ou outras pessoas sujeitas a elevados níveis de stress.