Cada vez mais comum em homens e mulheres, mas ainda difícil de abordar perante o terapeuta, o médico ou o (a) parceiro (a)!

Disfunção Sexual? O que é?

Todas as vivências insatisfatórias na relação sexual, quer seja a dificuldade em sentir satisfação ou conseguir dar satisfação. A dificuldade em manter/ter ereção, a dificuldade em chegar ao orgasmo, a ejaculação precoce, a falta de líbido…

Fatores desencadeantes ou causais

Podem ser vários, biológicos, psicológicos, relacionais e socioculturais. Não podemos esquecer as patologias que podem desencadear estas alterações, como a diabetes mellitus, doenças neurológicas, patologias que originam dor como as osteoarticulares, aterosclerose, entre outras. No caso da disfunção Sexual da Mulher (DSM) uma alteração hormonal pode ser caótica, a diminuição dos níveis de estradiol provoca uma diminuição da lubrificação vaginal que pode provocar dor (dispareunia) que pode complicar a vida sexual da mulher. A toma de fármacos é outro fator. A pílula (contracetivos hormonais combinados) e os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e noradrenalina (ISRSN) ocupam o primeiro lugar dos mais utilizados. Os seus efeitos colaterais não perdoam!

Disfunção no desejo ou Disfunção na excitação sexual?

O desejo sexual refere-se à motivação para o ato sexual, a excitação refere-se ao processo fisiológico de excitação, que inclui a lubrificação e o afluxo sanguíneo vaginal ou peniano. Duas queixas que observo muito em consulta, uma, outra, ou muitas vezes ambas. A desmotivação hoje em dia talvez seja o fator com maior impacto, na minha opinião profissional, pois os casais referem cansaço, dificuldade em gerir todas as tarefas diárias, pessoais, profissionais e muitas vezes ainda tarefas que deveriam caber aos filhos. Este conflito leve à depressão, a ansiedade e à toma de fármacos. A imagem corporal negativa também está presente em ambos os sexos, o aumento de peso, a flacidez ou as estrias provocadas pela gravidez são fatores psicológicos fortes.

Existem alguns tratamentos farmacológicos embora não sejam para todos. Não podemos esquecer o sucesso do Viagra na década de 90, mas também não podemos esquecer os efeitos colaterais. Por isso hoje traga-vos alguns exemplos de alimentos e plantas com propriedades afrodisíacas. Todas as plantas que vou referir têm estudos clínicos e eficácia comprovada, claro, como de resto faço sempre que vos falo de algo!

O que é um Afrodisíaco? 

Qualquer alimento ou planta que desperte o instinto sexual, induza o desejo, aumente o prazer e o desempenho sexual. Esta palavra é derivada de Afroditae, a Deusa do Amor! Os afrodisíacos podem ser classificados pelo seu modo de ação em três tipos: os que aumentam a líbido, a potência ou o prazer sexual. 

Fitoterapia

Chlorophytum borivilianum – Comumente conhecida como “Safed Musli” possui propriedades imunomoduladoras e adaptogénicas e é usada para tratar impotência, esterilidade e aumentar a potência masculina.

Mondia Whitei – Gengibre Africano tem sido usado para o tratamento da disfunção eréctil. É usado para aumentar a líbido e também para controlar a baixa contagem de espermatozoides. Pode ser utilizado em suplemento ou na alimentação.

Tribulus terrestris – Melhora a líbido e a espermatogénese. Aumenta os níveis de testosterona, hormona luteinizante, desidroepiandrosterona e dihidrotestosterona.

Crocus sativus – É o açafrão, atualmente muito utilizado pelas suas propriedades anti-inflamatórias, também recomendado como afrodisíaco. Pode ser utilizado nas suas refeições, dá-lhes cor e nem por isso altera o sabor do seu prato! É uma sugestão de alimentação funcional!

Myristica fragrans – Noz-moscada! Outra especiaria conhecida de todos nós! Foi mencionada na medicina Unani como sendo de valor no tratamento de distúrbios sexuais masculinos. Claro, para as mulheres também! Deve fazer parte da sua cozinha!

Phoenix dactylifera – Tamareira. O pólen de tamareira (DPP) é usado na medicina tradicional para a infertilidade masculina. A tamareira contém componentes de estradiol e flavonoides que têm efeitos positivos na qualidade do esperma. Como vimos atrás o estradiol baixo pode ser uma das causas da disfunção na mulher, como tal, aconselha-se.

Lepidium meyenii – A tão famosa Maca, é um hipocótilo peruano que cresce exclusivamente entre 4000 e 4500 m na região central dos Andes. A Maca é tradicionalmente empregada na região andina pelas suas propriedades afrodisíacas e de aumento da fertilidade. Hoje faz parte da alimentação de muitos portugueses, desportistas ou não, a Maca dá um potencial de energia extraordinário. Aconselho a colocar em batidos, iogurte ou sucos.

Panax ginseng – Por muitos anos, gozou da reputação de um dos melhores afrodisíacos do mundo. A palavra Panax, na verdade, significa “cura total” e isto diz tudo sobre as suas propriedades revitalizantes para o organismo humano. É um ótimo neurotransmissor e induz a ereção peniana. 

Pausinystalia yohimbe – A Ioimba tem sido amplamente usada por mais de 75 anos como um tratamento para a disfunção eréctil masculina. O FDA dos EUA aprovou a Ioimba como o primeiro medicamento derivado de planta para o tratamento da impotência no final dos anos 1980 e foi apelidado de “viagra à base de ervas” na edição de fevereiro de 1999 da Environmental Nutrition In Europe. Estudos mostraram que esta planta pode restaurar a potência até mesmo para pacientes diabéticos e cardíacos que sofriam de impotência. 

Turnera difusa – A Damiana também é uma planta muito utilizada em suplementos, seja para homem ou mulher. Existem no mercado vários suplementos para a saúde da mulher com este constituinte. 

(Ler mais em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3731873/)

Alimentação

Quanto aos alimentos, claro, muitos não passam de especulação pois não existem estudos que os comprovem, de qualquer modo, é óbvio que os alimentos também têm constituintes químicos, tal como as plantas, e estes influenciam a nossa bioquímica, ponto! Não tem nada que saber. Todos sabem que a soja, o inhame, a linhaça são ricos em fitoestrogénios, o que não sabem é que os cereais também os contêm; centeio, aveia, cevada, milho, arroz, trigo e milho, ainda as sementes de abóbora, sésamo, girassol, etc. Então podem dar a tal ajudinha no estrogénio baixo? Porque não?

Não é à toa que em cenas eróticas vemos sempre a tríade maravilhosa dos morangos, chocolate e vinho! Estes alimentos também têm constituintes estimulantes. As ostras cruas, o café e o mel também têm potencial afrodisíaco.

A maior parte das plantas que referi encontra-se no mercado em forma de suplementos, infusões ou pós. No entanto, não esqueça, cada caso é um caso, não deve automedicar-se, procure sempre o conselho de um profissional de saúde! 

Vai ver que é fácil! 

Por Dra. Sandra Eloi

Fisioterapeuta – Docente de Ginecologia e Obstetrícia natural (IMT)

Pós-graduada em Práticas clínicas Naturopáticas

Mestranda em F. Nutricional para a Saúde Humana

CP n.º 0300440 | CP n.º 0400363

facebook.com/killogramaclinica

Fazer Comentario

Su dirección de correo electrónico no será publicada.