{"id":11735,"date":"2022-07-25T12:18:09","date_gmt":"2022-07-25T12:18:09","guid":{"rendered":"https:\/\/saudeactual.pt\/wp\/?p=11735"},"modified":"2025-03-11T08:45:32","modified_gmt":"2025-03-11T08:45:32","slug":"hibisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/saudeactual.pt\/wp\/hibisco\/","title":{"rendered":"HIBISCO"},"content":{"rendered":"\r\n<h4 class=\"p1\">Da planta ornamental ao &#8220;ch\u00e1&#8221; vermelho<\/h4>\r\n<p class=\"p1\">As infus\u00f5es e as decoc\u00e7\u00f5es de plantas vulgarmente designadas por ch\u00e1s, embora n\u00e3o o sendo, uma vez que os verdadeiros ch\u00e1s s\u00e3o os que prov\u00eam da <i>Camellia sinensis<\/i> e n\u00e3o de outras esp\u00e9cies vegetais, tornou-se uma moda corrente. Ainda bem, j\u00e1 que podem substituir vantajosamente bebidas alco\u00f3licas, gaseificadas ou a\u00e7ucaradas que pomposamente s\u00e3o intituladas como digestivas. H\u00e1, grosso modo, dois tipos de \u201cch\u00e1s\u201d: os que funcionam como mezinhas e s\u00e3o pouco agrad\u00e1veis ao paladar, como o do fel-da-terra ou o de alcachofra, os quais bebemos com sacrif\u00edcio, e os que s\u00e3o prazenteiros, embora, \u00e0s vezes, com escassos efeitos medicinais. Num caso e noutro, para al\u00e9m do bom estado de conserva\u00e7\u00e3o das plantas utilizadas, h\u00e1 que ter sempre em conta a qualidade da \u00e1gua em que s\u00e3o submergidas.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Sem d\u00favida que a inven\u00e7\u00e3o das saquetas contendo extratos de plantas secas tem facilitado a comercializa\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o dos \u201cch\u00e1s\u201d e simultaneamente v\u00eam dilatando os lucros dos negociantes que, segundo nos alertaram, chegam at\u00e9 a acrescentar corantes e aromatizantes artificiais para aliciar incautos compradores. N\u00e3o nos podemos esquecer que, nesta sociedade capitalista neoliberal em que nos \u00e9 dado viver, o lucro constitui sempre o fator dominante, determinando as altera\u00e7\u00f5es de comportamento dos cidad\u00e3os consumidores.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Esta conversa introdut\u00f3ria vem a prop\u00f3sito da recomenda\u00e7\u00e3o de uma querida amiga para escrever sobre o hibisco, planta que proporciona uma deliciosa infus\u00e3o com uma agrad\u00e1vel colora\u00e7\u00e3o carmesim muito agrad\u00e1vel \u00e0 vista, porque \u201cos olhos tamb\u00e9m bebem\u201d.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Ora os hibiscos, plantas da nobre fam\u00edlia das <i>Malvaceae<\/i>, s\u00e3o arbustos que se encontram cultivados em muitos jardins p\u00fablicos e privados como plantas ornamentais (temos um no quintal que, quando est\u00e1 no cio com exuberante flora\u00e7\u00e3o, suja-nos a roupa com o seu p\u00f3len alaranjado). Segundo julgamos saber, trata-se do <i>Hibiscus rosa-sinensis<\/i>, mas n\u00e3o \u00e9 esse o que agora queremos.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">A crer no magn\u00edfico <i>Guia da Flora de Portugal Continental<\/i>, de Andr\u00e9 Carapeto, Paulo Pereira e Miguel Porto, editado em 2021, pela Imprensa Nacional, temos c\u00e1, espontaneamente, em estado silvestre, apenas o <i>Hibiscus palustris<\/i>. \u00c9, entre n\u00f3s, uma esp\u00e9cie muito rara e em perigo de extin\u00e7\u00e3o que surte em solos h\u00famidos, na orla das madres de \u00e1gua, algures na Beira Litoral. Tal asser\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m confirmada no \u201csite\u201d Flora-on. Mas, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 esse o que pretendemos para fazer o nosso \u201cch\u00e1\u201d.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Das centenas de esp\u00e9cies de hibiscos que existem no mundo, com destaque para o <i>syracus<\/i>, o <i>abelmoschus<\/i>, o <i>elatus<\/i> e o <i>esculentis<\/i> (quiabo), o que verdadeiramente nos interessa para elaborar a afamada tisana \u00e9 o <b><i>Hibiscus sabdariffa<\/i><\/b>, planta predominante nas regi\u00f5es de climas quentes.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Todos os hibiscos possuem folhas simples, alternas, ovais ou lanceoladas com margens levemente dentadas. As flores disp\u00f5em-se em forma de trombeta e s\u00e3o normalmente de cor vermelha, embora, por virtude de hibrida\u00e7\u00f5es e cruzamentos, h\u00e1, nos hibiscos ornamentais, flores amarelas, brancas, lilases, rosas, etc. Os c\u00e1lices florais t\u00eam cinco s\u00e9palas e o mesmo n\u00famero de p\u00e9talas providas de longo pistilo carregado de profuso p\u00f3len.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Para confecionar o \u201cch\u00e1\u201d de <b><i>Hibiscus sabdariffa<\/i><\/b> utilizam-se n\u00e3o s\u00f3 as p\u00e9talas, mas os pr\u00f3prios c\u00e1lices florais. A infus\u00e3o fica com uma colora\u00e7\u00e3o vermelha bastante atraente e um agrad\u00e1vel sabor agridoce.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Diz-se que o referido hibisco cont\u00e9m antocianinas, as quais proporcionam a caracter\u00edstica cor avermelhada, mucilagens, \u00e1cidos c\u00edtrico, m\u00e1lico e tart\u00e1rico, provitamina A, vitamina C e do complexo B (B<sub>1<\/sub>, B<sub>2<\/sub> e B<sub>3<\/sub>), c\u00e1lcio, cobre, ferro, f\u00f3sforo e magn\u00e9sio.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Investiga\u00e7\u00f5es efetuadas apontam para propriedades medicinais relevantes: redu\u00e7\u00e3o da hipertens\u00e3o (tr\u00eas ch\u00e1venas di\u00e1rias), curas de emagrecimento, controlo do colesterol e regula\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica. Refere-se ainda que a planta \u00e9 antioxidante, anti-inflamat\u00f3ria, calmante, adstringente, diur\u00e9tica e levemente laxante.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">O \u201cch\u00e1\u201d \u00e9 muito apreciado em It\u00e1lia e na maior parte dos pa\u00edses africanos. No Senegal, Mal\u00e1sia e Havai, a pr\u00f3pria flor \u00e9 considerada emblema nacional. Nos pa\u00edses caribenhos \u00e9 famosa a chamada \u201c\u00c1gua de Jamaica\u201d que agrega gengibre e um pouco de rum, para tomar fria ou quente. Devido \u00e0 exist\u00eancia de mucilagens, \u00e9 tamb\u00e9m poss\u00edvel elaborar apreci\u00e1veis geleias.<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Os entendidos acrescentam que uma boa parte dos hibiscos ornamentais que se veem nos nossos jardins podem ter \u00edndices elevados de toxinas e que, por isso, as suas flores n\u00e3o devem ser utilizadas para fazer \u201cch\u00e1s\u201d.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>No entanto, h\u00e1 quem refira que tamb\u00e9m possuem propriedades curativas, nomeadamente que acalmam a tosse e as anginas. Na d\u00favida, \u00e9 melhor n\u00e3o experimentar e cingirmo-nos s\u00f3 \u00e0s flores da esp\u00e9cie<i> sabdariffa<\/i>, com ou sem gengibre e umas gotinhas de rum.\u00a0<\/p>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<p class=\"p1\">Por Dr. Miguel Boieiro<\/p>\r\n<p class=\"p2\">miguel.boieiro985@gmail.com<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da planta ornamental ao &#8220;ch\u00e1&#8221; vermelho As infus\u00f5es e as decoc\u00e7\u00f5es de plantas vulgarmente designadas por ch\u00e1s, embora n\u00e3o o sendo, uma vez que os verdadeiros ch\u00e1s s\u00e3o os que prov\u00eam da Camellia sinensis e n\u00e3o de outras esp\u00e9cies vegetais, tornou-se uma moda corrente. 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