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O POPULAR MEDO DA SOLIDÃO

“Por que é que havia de me sentir sozinho? 
Raras vezes na minha vida, desde que me lembro de mim, tive um sentimento de solidão. 
E não me sinto mal na minha companhia, divertimo-nos muito os dois, eu e eu. 
Não me aborreço.”

António Lobo Antunes

Há em nós um medo residente da solidão, de estarmos sozinhos, de ficarmos sozinhos.

Sendo que muitos de nós não sabem que a grande razão dos seus problemas é, exactamente, esse medo.

Mas este medo não foi conscientemente aprendido nem por nós escolhido, foi-nos ensinado. Pela sociedade, pela família, pelos media, pelas histórias infantis…

Não temos consciência que o aprendemos, nem percebemos que o mesmo foi uma aprendizagem. 

Porque olhando à nossa volta vemos mais pessoas com esse medo.

E pensamos que é “normal” ter esse medo, viver com esse medo.

Por ele somos forte e inconscientemente condicionados.

Sentimos que só seremos totalmente felizes se tivermos alguém a partilhar a vida connosco.

Ficamos numa relação, mesmo que já não sintamos amor.

Toleramos situações intoleráveis.

E vivemos num paradigma de “Mais vale estarmos mal-acompanhados do que sós.”…

 

Como pode ultrapassar este medo?

1º – Aceitar que não nasceu com este medo

Apesar de sermos um animal social, não é indispensável à nossa sobrevivência o viver em família. Podemos ter amigos mais próximos que alguma família. E podemos ter muitos amigos, poucos ou nenhuns… Podemos. O ser humano não morre por causa disso.

 

2º – Aceitar que aprendeu este medo

Com o que foi sendo transmitido pela sociedade, pela família, etc. Subtil e subliminarmente foi aprendendo: tem de ter alguém ao seu lado (caso contrário, não será “normal”).

 

3º – Estar SÓ não é solidão!

Aceitar que é possível estar SÓ consigo próprio sem sentir solidão.

Aceitar apenas essa possibilidade. Acreditar que é possível. (Mesmo que sinta que seja difícil).

 

4º – Aceite a possibilidade de ficar SÓ (só consigo próprio)

Veja essa possibilidade de ficar só, consigo próprio, e estar bem. 

Estar bem sem ter ninguém ao seu lado.

Atenção! Este é um passo importante e não implica resignar-se a ficar sozinho.

Antes pelo contrário.

Aceitar esta possibilidade ajuda-o a estar mais disponível para vir a encontrar alguém, com quem possa partilhar a sua vida.

Aceitação não é resignação!

 

5º – Auto-sugestão

Dizer mentalmente, ou verbalizando: “Este medo de estar sozinho não é meu. Ensinaram-mo. E eu não o quero ter. Abro-me a soltá-lo. A libertar-me…”

 

6º – Faça coisas agradáveis, sozinho

Crie bons momentos consigo próprio.

Pequenos passeios, ida a uma esplanada, ver um filme…

Faça-os sorrindo. Mesmo que às vezes não lhe apeteça.  

 

7º – Abra-se ao convívio social – liberto desse medo

Procure a companhia de outras pessoas, amigos ou familiares.

Proponha ou disponibilize-se… sem se impor.

Aceite os “Não” com um sorriso, contrapropondo “Fica para uma próxima…”

Aceite os “Sim” com gratidão.

 

“Se te é impossível viver só, nasceste escravo.”

Fernando Pessoa

 

Ao contrário do que nos foi ensinado, a solidão não é boa, nem é má. É a solidão.

É a circunstância de estar sozinho, sozinha, consigo próprio, consigo própria…

No entanto, fomos condicionados a conotar a solidão com tristeza, dor, sofrimento, abandono, etc., etc.

É um equívoco que necessitamos de esclarecer connosco próprios. E podemos fazê-lo.

Repito: A solidão não é boa, nem é má. É a solidão. 

É a circunstância de estar sozinho, sozinha, consigo próprio, consigo própria…

E nesse descondicionamento, que muitos de nós precisamos fazer, há uma experiência de sentimento de uma solidão triste (ou o medo dela) que nos assombra.

Esse sentimento (que nos foi condicionado, às vezes por nós próprios), é uma antecâmara para o sentimento de plenitude e liberdade.

Temendo-o, vamos evitando-o. Evitando-o, assim o vamos alimentando.

É uma etapa difícil, mas necessária de ser atravessada, num caminho de desenvolvimento espiritual e de maturidade emocional: a experiência da solidão triste.

Por isso, não evite a solidão triste.

Observe-a. 

É natural que sinta medo.

Que a queira rejeitar, combater, fugir dela…

Mas mesmo com esse medo, enfrente-a. 

Viva-a. Experiencie-a.

Irá como que “atravessá-la” e sentir-se mais próximo/a de uma solidão tranquila – onde verá que nunca está verdadeiramente sozinho/a.

Perceberá que é exactamente nesses momentos que sente uma ligação mais plena e profunda a um Tudo a um Todo – do qual faz parte.

 

“Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.”

Fernando Teixeira de Andrade

 

O medo da solidão é como uma cortina pesada que muitas vezes assusta, fazendo-nos fugir do caminho da mais plena liberdade.

E assim, num triste trilho inverso, procuramo-nos preencher com os outros, sentindo-nos tantas vezes tão mal-acompanhados.

Há que agarrar o medo de abrir a cortina da solidão – talvez abraçá-lo – e espreitar o caminho dessa mais plena e maravilhosa liberdade. 

 

Por Mário Rui Santos

Hipnoterapeuta

Formador da Hypnos/SPHM

Presidente da Associação-Grupo Português de Hipnose e Motivação 

www.Hipnose.pro | www.Hipnoterapia.pro | www.Hipno.pt

*a pedido do autor, este texto não segue as normas do acordo ortográfico

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